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O que é Bipolaridade?

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No dia 30 de março celebramos o Dia Mundial da Doença Bipolar. O Brasil já conta com 6 milhões de pessoas afetadas por esta doença. No entanto, continua a existir medo de assumir este “problema silencioso”, ou até mesmo hesitação em pedir ajuda.

Este dia assinala o aniversário de Vincent Van Gogh, pintor holandês que foi postumamente diagnosticado como provável portador da doença. Esta celebração surgiu em 2014, tendo como objectivo informar a população acerca dos traços que caracterizam esta doença e, sobretudo, procura eliminar o estigma social de que os seus portadores são muitas vezes alvo.

O estigma associado às doenças mentais está muito relacionado com a falta de informação. A população ainda encara este tipo de doenças de forma exclusiva e diferente de qualquer outro tipo de doenças.

Posto isto, o que é a doença bipolar? Segundo a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA) é “uma doença, um transtorno mental com causas biológicas, neuroquímicas e psicossociais em que existe uma alteração do humor, onde a pessoa apresenta uma alternância de períodos de depressão com períodos de euforia (mania ou hipomania).”

Afeta cerca de 140 milhões de pessoas no mundo e, de acordo com a Associação, “50% dos portadores da doença tentam o suicídio pelo menos uma vez na vida e 15% realmente se suicidam”.

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Os sintomas de depressão ou mania verificam-se com uma frequência muito inconstante e até podem surgir ao mesmo tempo (crises mistas). As crises têm diferentes níveis de gravidade e levam a uma perda muito acentuada da autonima, da personalidade e do bem-estar em geral.

De acordo com a Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares (ADEB), ainda não existe um tratamento que cure defenitivamente a doença. Contudo, é possível controlá-la com medicamentos estabilizadores de humor, antidepressivos (no caso das crises de depressão e antipsicóticos).

Mas a Associação relembra que crises muito graves necessitam, normalmente, de tratamento hospitalar. Além disso, é necessário ter muito cuidado com os medicamentos ingeridos, visto que, se não forem os adequados a cada caso, pode agravar o prognóstico da doença.

A causa da doença ainda é desconhecida. Apesar disso, aspetos genéticos têm um peso considerável nos fatores que desencadeiam o aparecimento da bipolaridade. A doença é geralmente detetada em indivíduos entre os 18 e os 25 anos.

O dado mais temeroso é que o diagnóstico da bipolaridade pode demorar até 10 anos a ser concluído, porque, de acordo com a R7, “Não existe um exame que determine ou confirme a presença da doença. Isso é feito por critérios de exclusão”.

Em meados do ano passado, uma pesquisa levada a cabo por um neurocientista, um físico e uma psiquiatra brasileiros, permitiu desenvolver formas de medir computacionalmente alguns sintomas de transtornos mentais, como esquizofrenia e transtorno bipolar, através dos sonhos. Apesar de o exame ainda ser muito dependente da avaliação subjetiva de um profissional e não substituir nenhum diagnóstico, o método permite que se informe e oriente mais cedo a pessoa e dá, também, mais informação aos profissionais.

No mesmo ano, um estudo desenvolvido por médicos psiquiatras do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, revelou que os nivéis de ácido úrico no sangue de doentes com depressão podem indicar quem está em risco de desenvolver doença bipolar.

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A investigação portuguesa foi divulgada na revista científica internacional Bipolar Disordes e conclui que altos níveis de ácido úrico no sangue em doentes com depressão, levam a um maior risco de desenvolvimento de doença bipolar. De acordo com um dos investigadores, “não existia até então nenhum exame acessível no dia-a-dia capaz de identificar indivíduos em risco de desenvolver doença bipolar”.

Relativamente aos sintomas, a Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares identifica-os de acordo com o estágio da crise (Mania ou Depressão).

Mania

  • Primeira fase corresponde a um estado de humor expansivo, em que a pessoa se sente alegre, sociável
  • Aumento de interesse em diversas actividades, despesas excessivas, dívidas e ofertas exageradas;
  • Energia excessiva, possibilitando uma hiperactividade ininterrupta;
  • Perda da noção da realidade, ideias estranhas (delírios) e «vozes»;
  • Diminuição da necessidade de dormir;
  • Irritabilidade extrema; a pessoa torna-se exigente e zanga-se quando os outros não
    acatam os seus desejos e vontades;
  • Alterações emocionais súbitas e imprevisíveis, os pensamentos aceleram-se, a fala
    é muito rápida, com mudanças frequentes de assunto;
  • Reacção excessiva a estímulos, interpretação errada de acontecimentos, irritação com pequenas coisas, levando a mal comentários banais;
  • Grandiosidade, aumento do amor próprio. A pessoa, pode sentir-se melhor e mais poderosa do que toda gente;
  • Aumento da vontade sexual, comportamento desinibido com escolhas inadequadas;
  • Incapacidade em reconhecer a doença, tendência a recusar o tratamento e a culpar os outros pelo que corre mal;
  • Abuso de álcool e de substâncias.

Depressão

  • Preocupação com fracassos ou incapacidades e perda da auto-estima. Pode ficar-se obcecado com pensamentos negativos, sem conseguir afastá-los;
  • Sentimentos de inutilidade, desespero e culpa excessiva;
  • Pensamento lento, esquecimentos, dificuldade de concentração e em tomar
    decisões;
  • Perda de interesse pelo trabalho, pelos hobbies e pelas pessoas, incluindo os
    familiares e amigos;
  • Preocupação excessiva com queixas físicas, como por exemplo a obstipação;
  • Agitação, inquietação, sem conseguir estar sossegado ou perda de energia, cansaço,
    inacção total;
  • Alterações do apetite e do peso;
  • Alterações do sono: insónia ou sono a mais;
  • Diminuição do desejo sexual;
  • Choro fácil ou vontade de chorar sem ser capaz;
  • Ideias de morte e de suicídio; tentativas de suicídio;
  • Uso excessivo de bebidas alcoólicas ou de outras substancias;
  • Perda da noção de realidade, ideias estranhas (delírios) e «vozes» com conteúdo
    negativo e depreciativo;

É importante referir que a doença bipolar pode, por vezes, ser confundida com simples oscilações de humor. Todos nós temos fatores externos ou internos que levam a que o nosso estado de humor se altere, por isso não devemos assumi-las, nestes casos, como bipolaridade. No entanto, se for algo constante, progressivo ou diferente do que habitualmente sente, deve buscar ajuda médica de imediato.

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“Em média, uma pessoa que sofre de Doença Bipolar tem quatro crises durante os primeiros dez anos de doença”, divulga ADEB. Para cada forma de evolução correspondem diferentes designações. Bipolar I indica que a pessoa dofre de crises de mania ou mistas e, por vezes, há fases depressivas. As crises repetem-se se não houver tratamento preventivo.

Já Bipolar II indica que a pessoa tem crises depressivas graves e fases leves de elevação de humor. As crises de elevação do humor podem não ser identificadas ou referidas porque o doente se sente melhor que o habitual, com muita energia e alegria, sem perturbações óbvias.

Se o tratamento for só para a depressão, com uma medicação exclusivamente com antidepressivos, não se verifica uma estabilização, podendo surgir crises frequentes. Por último, os ciclos rápidos correspondem a, no mínimo, quatro crises por ano, em qualquer combinação de fases de mania, mistas e depressivas.

Corresponde a uma evolução que atinge entre 5 e 15% dos doentes com Doença Bipolar. Pode, em alguns casos, resultar de uma terapia demasiado intensiva e prolongada com antidepressivos, em vez do adequado tratamento de estabilização do humor. O Jornal da Universidade de São Paulo informa que “os pacientes costumam viver 11 anos a menos que a população em geral. As causas desse encurtamento da vida ainda estão sob investigação, mas já se sabe que o nível de inflamação dos pacientes é maior do que a média”.

Caso sofra de transtorno bipolar é importante que se comprometa com o tratamento, mantenha uma rotina de sono estável, evite álcool e drogas, desabafe com alguém de confiança (amigos e familiares são cruciais nestas situações), aproveite os períodos de bem-estar e, sobretudo, enfrente a doença e os seus sintomas sem preconceito!

Vamos acabar com o estigma.

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